De todos os sentimentos e
atitudes do coração que me intrigam, existe uma em particular que move os meus
pensamentos e sentimentos do coração. Ela parece uma resposta do coração aos
tempos antigos, ou até mesmo aos presentes que não são vividos com a intensidade
do coração. Saudade. Ela parece que chega sem percebemos, sem que sintamos sua
gênese em nossos corações e quando nos damos conta já estamos sentido. Não faz alarde,
não grita. Ela chega aos poucos e quando nos damos conta já se faz sentada ao
nosso lado. Só temos uma certeza sobre a saudade: “Só se tem saudade do que é
bom”. A saudade sem sombra de dúvida é a resposta do coração para o significado
que partiu. Para a perda de um significante em nossa vida. Os vazios da saudade
são as consequências de um coração que deixou em outro suas marcas. Aquele que
parte leva sempre um pedaço de nós.
A saudade se forma no
coração com o apreço que temos por alguém. Ela se apropria dos sentimentos bons
que nascem no coração e faz deles motivo para amarmos, apreciarmos e queremos
bem. Constrói significados e estes por sua vez completa a vida daqueles que o
recebem. Saudade é traiçoeira. Ela não procura nada mais do que confirmar
aquilo que já sabíamos: O amor que temos por algo. Só sentiremos saudades daquilo que muito amamos.
Quanto maior a saudade, maior será o peso do significado que aquele tem para
nós.
O intrigante da vida é que
ela esta repleta de saudades. O homem de segundo em segundo edifica casas de
saudade em seu ser. Ele edifica as bases no momento em que confia seu ser, sua amizade,
seu coração, sua vida a outro. Nasce no amor toda saudade. Todas as vezes que
confiamos todas essas realidades a alguém, naquele instante assinamos nosso
contrato de saudade. E ela vem com toda certeza fazer as cobranças deste termo
assinado com a vida. Saudade não perdoa nenhum coração. Todos os corações estão
propensos à saudade e todos estão predispostos a viver essa realidade
silenciosa.
Por estes tempo pude ir ao
aeroporto deixar um amigo que partia. Ele iria ficar alguns meses fora. Iria fazer
um curso de especialização no México. E ali pude comtemplar as facetas da
saudade. Aqueles que partiam sentiam a dor do deixar e os que ficavam a dor do
partir. A saudade é uma via de duas mãos. Quantos corações ali sentiam esse
sentimento. Creio que se existisse um instrumento mecânico capaz de medir a
saudade, naquele instante ele marcaria um elevado nível de saudade em todos que
ali estavam. Não sei por que aeroporto, rodoviária, estação de trem para mim já
tem sinônimo da saudade. E quem já passou pela mesma experiência sabe bem o que
digo.
O mais importante da saudade
é saber que os que partem não partem por completo, e os que ficam ainda sentem
a presença. O abraço da despedida não quebra as forças da presença. O que move
os sentimentos da saudade é a certeza de que aqueles que se separam estão tão
mais íntimos de si. A força do coração trata de unir as distâncias. Vale bem o
trecho da canção que diz: “Sair não é deixar.
Estar não é cuidar.
Perto estas
se dentro estas.
Crescer não é mudar. Cuidar não é ficar, fica
tua vida em mim. Sair não é deixar. Estar não é cuidar, perto
estas se dentro estas.”.
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