Inicío

20 de janeiro de 2012

Nossa Senhora do Crack


Boa tarde. Numa rua da "Cracolândia", um artista teve a idéia de colocar, num muro, sobre fundo azul, uma imagem de Maria, Mãe de Jesus.

O artista escreveu ao lado a identificação: "Nossa Senhora do Crack". Alguém passou, viu e não gostou. Achou que fosse uma profanação...

Mandaram-me uma foto do local e da imagem, vi e fiquei comovido.

À frente da imagenzinha, duas pessoas agachadas na calçada, cabeça coberta, possivelmente drogadas, em atitude de oração.

Ao lado, um cachorro, fazendo-lhes companhia...

Essa pessoa, desesperada e tomada de angústia, sentido-se só e abandonada, encontrou conforto e amparo na imagem da Mãe do Salvador!

Não é profanação. A Mãe de Jesus é também a mãe de todos os homens: "filho, eis tua mãe".

Na perplexidade sucitada pela cena, nossa consciência é tocada. O drama dos dependentes químicos não pode nos deixar indiferentes.

São pessoas humanas, são irmãos, são filhos de Deus. E a Mãe de Deus é mãe dos angustiados, dos desvalidos... Dos angustiados e desesperados

E a Mãe vai, sim, onde ninguém vai. A Mãe olha por todos os seus filhos e vai lá onde eles mais precisam dela.

É uma pena que a imagem tenha sido destruída. Mas a Mãe de Jesus continua olhando por todos.

Nossa Senhora do Crack, rogai por eles, e por nós também! Deus abençoe o fim de semana de todos vocês.

@DomOdiloScherer (via Twitter – 23/07/2011)
Cardeal Arcebispo Metropolitano de São Paulo
http://arquidiocesedesaopaulo.org.br

A beleza de um sangue


Não foi de instante que vivi aquele momento. Não foi um devaneio de pensamentos, como daqueles que sempre tenho quando a coisa de fato não me interessa. Foi um encontro de mistérios, uma saudade do lugar que de fato nunca visitei. Saudades talvez do céu. E sentado nas penumbras meio cinzentas dos assentos postos atrás da cadeira do Senhor bispo em nossa catedral diocesana. Olhei ao alto aquela cruz cravada nas abóbodas do teto. Era assim uma dor com mistura de amor. Um Deus ali cravado pelos meus pecados. Um Deus pregado pelos meus pecados. 
Uma pequenez de mistérios, uma grandeza de gesto. Um Deus colocado numa cruz por amor de mim. Porque por mim? Eu que nada tenho de bom. Eu que nada tenho para retribuir e na pequenez de minha vida tento alcançar as mãos daquele Deus Cravado. Poder deixar cair ao menos uma gota daquele sangue sagrado. Ao menos por um mero segundo poder sentir aquele olhar, aquele jeito de falar. Sentia como que transportado para Jerusalém. Era como sentir os ventos de Gólgota. Era como ouvir os gritos dos acusadores e o choro daquelas mulheres lacrimosas. Era um dor com misto de alegria, uma alegria velada pelo desejo incontido de tocar, sentir aquela chaga sagrada. Chagas feitas nele e que curaram as minhas dores. Chagas feitas nele, mas foram as minhas saradas pela sua dor,
Como poderia esquecer? Como posso cair ás vezes no esquecimento de tamanho amor? Prefiro amar as coisas desta terra, prefiro abraçar as temporalidades deste mundo. Como esqueço por instantes que Tu fizestes aquilo que ninguém faria por mim? Um amor sem versos, sem flores, sem canções. Contudo, um amor cravado em gestos, em gritos de dor. Gritos de amor por mim. Porque não existe prova de amor maior do que conceder sua vida por aquele que se ama. E Tu Senhor não fizeste outra coisa: se não doar Tua vida por meu amor! Como me esqueço disso por vezes? 
Naquele instante sentia-me João e Doutor da lei, Maria e soldado. Porque ao mesmo tempo em que te amava e sentida tua dor, também traia por recordar ás vezes que não fui capaz de perceber esse amor! Perceber a beleza daquele sangue que diversas vezes recebia na comunhão. Por não entender muitas vezes as provações da vida e preferir esquecer que teu amor me sustentava. E olhando aquela cruz perdurada naquela Igreja, tinha o desejo de por um instante amar-te com a própria vida. Por um instante só dizer do meu amor por ti, amor que pudesse jamais me fazer esquecer-se de Ti. Tu que nunca se esquece de mim. Tudo isso percebido na Beleza desse sangue.

Fingir ser cristão

Quando estamos visitando alguns lugares como seminarista não é estranho ter encontro com uma grande gama de pessoas que nos cumprimentam e conversam conosco. São pessoas que estão nas mais diversas faixas da sociedade. E muitas delas se dizem católicas. Dizem rezar em casa! Sim católicos que rezam em casa. Porque segundo eles não precisam estar na Igreja para Deus as ouvir. Além de fingidos são um bando de egoístas. Isso porque não sabem viver a base de todo catolicismo : a comunidade. Sim,fogem daquilo que nos faz ser de fato católicos. Porque ninguém pode ser cristão sozinho.
São apenas católicos de CENSO que lotam as numerações das estatísticas. São cristãos de batizados,casamentos e missas de formatura. Que desconhecem as sendas da Sã Doutrina e da Tradição. Que se dizem integrantes de uma Religião e são os primeiros a atacar seus membros ,seu líder ,suas tradições.Católicos de nome ,contudo não de fato. 
Mais pior do que isso são aqueles que buscam uma fé e não buscam o primordial nessa fé. SANTIDADE!
Rezemos por cada um de nós : Para que não cheguemos a este ponto. Porque viver assim é o mesmo que dizer-se filho de uma pessoa ,falar dela e nunca ter visto. 
Deixo para nossa reflexão essa canção do Ministério Adoração e Vida - Em santidade.
ESSAS PALAVRAS SERVEM PARA TODOS, INCLUSIVE PARA MIM!


6 de janeiro de 2012

A força da Esperança


Recentemente, reli a encíclica Spe Salvi (Salvos pela Esperança), a segunda do pontificado de Bento XVI. Um primor. O papa é um grande intelectual e um comunicador de primeira. Aborda temas difíceis com uma simplicidade admirável. Num mundo algemado pelos grilhões do ceticismo e pelo impacto corrosivo do cinismo, sobretudo no mundo político, Spe Salvi é uma forte estocada e uma provocação. De Santo Agostinho a Lutero, Kant, Bacon e Engels, homens da Igreja, santos e filósofos, ortodoxos e heterodoxos, desfilam na encíclica como protagonistas da nostalgia do ser humano com a esperança.
Bento XVI desnuda a inconsistência das esperanças materialistas e faz uma crítica serena, mas profunda, à utopia marxista. Segundo o papa, Marx mostrou com exatidão como realizar a derrubada das estruturas. "Mas não nos disse como as coisas deveriam proceder depois. Ele supunha simplesmente que, com a expropriação da classe dominante, a queda do poder político e a socialização dos meios de produção, ter-se-ia realizado a Nova Jerusalém." Marx "esqueceu que o homem permanece sempre homem. Esqueceu o homem e sua liberdade. Esqueceu que a liberdade permanece sempre liberdade, inclusive para o mal. (...) O seu verdadeiro erro é o materialismo: de fato, o homem não é só o produto de condições econômicas nem se pode curá-lo apenas do exterior. (...) Não é a ciência que redime o homem. O homem é redimido pelo amor".
O cerne da encíclica, um vibrante apelo à genuína esperança cristã, é a antítese do surrado discurso dos teólogos da libertação que, com teimosa monotonia, apostam no advento da utópica Jerusalém terrena. As injustiças, frequentemente escandalosas e brutais, devem ser enfrentadas e superadas, mas não há o paraíso neste mundo. E o papel da Igreja, não obstante seu compromisso preferencial com os pobres e desvalidos, é essencialmente espiritual. Bento XVI não contorna os temas difíceis ou politicamente corretos. Na contramão de certo ativismo eclesiástico, aponta a oração como "primeiro e essencial lugar" da esperança. "Quando já ninguém me escuta, Deus ainda me ouve." Sugestivamente, o papa evoca o falecido cardeal vietnamita Nguyen Van Thuan, que, após 13 anos na prisão comunista, 9 dos quais numa solitária, escreveu Orações na Esperança. "Numa situação de desespero aparentemente total, a escuta de Deus, o poder falar-Lhe, tornou-se para ele uma força crescente de esperança, que, depois da sua libertação, lhe permitiu ser para os homens em todo o mundo uma testemunha daquela grande esperança que não declina, mesmo nas noites de solidão."
A mensagem de Bento XVI, direta e sem concessões, tem repercutido com força surpreendente. Seu desempenho, sobretudo no meio jovem, é uma charada que desafia o pretenso feeling de certos estudiosos do comportamento. Afinal, o estereótipo do papa conservador, obstinadamente apegado aos valores que estariam em rota de colisão com a modernidade, vai sendo contestado pela força dos fatos e pela eloquência dos números.
As Jornadas Mundiais da Juventude têm sido um bom exemplo do descompasso entre as profecias de certos vaticanólogos e a verdade factual. Crescentes multidões multicoloridas, usando tênis e mochilas, transformam este avô da cristandade num indiscutível fenômeno de massas. Como explicar o fascínio exercido pelo papa? Como digerir a força de um fato?
Vem-me à lembrança, enquanto escrevo este artigo nesta São Paulo fascinante, cosmopolita e multicultural, a cobertura que fiz para o jornal O Estado de S. Paulo, em outubro de 2003, do 25.º aniversário do pontificado de João Paulo II. Lembro-me, entre outros, de um depoimento sugestivo. Bruno Mastroianni era um jovem filósofo romano. Sobrinho de Marcello Mastroianni, o falecido ator de La Dolce Vita, do magnífico Fellini, nasceu depois da eleição de João Paulo II. Encontrei-o enturmado na Praça de São Pedro. "Nestes meus 24 anos", dizia-me então, "o papa sempre esteve presente. Lembro-me quando era criança daquele homem vestido de branco, com aspecto de estrangeiro, mas, ao mesmo tempo, tão familiar. Mais tarde, durante os anos da adolescência, fiquei rebelde. O papa, no entanto, estava sempre lá, um pouco mais velho, mas sempre forte. Dizia-nos, então, que o amor de Deus era a única resposta, o único caminho para um futuro melhor. Agora, formado e iniciando minha vida profissional, aquele homem vestido de branco, longe de parecer um velhinho frágil e doente, continua lá. É uma rocha firme e segura. Acredito que para todos os jovens como eu não exista um melhor mestre do amor que um papa tão enamorado de seu serviço ao mundo."
A incrível sintonia entre os papas e a juventude oculta inúmeros recados. Num mundo dominado pela cultura do ter, pelo expurgo do sofrimento e pela fuga da dor, Bento XVI caminha aparentemente no contrafluxo.
"Não é o evitar o sofrimento, a fuga diante da dor, que cura o homem, mas a capacidade de aceitar a tribulação e nela amadurecer, de encontrar o seu sentido através da união com Cristo, que sofreu com infinito amor", sublinha o papa na Spe Salvi.
"A grandeza da humanidade determina-se essencialmente na relação com o sofrimento e com quem sofre. Isto vale tanto para o indivíduo como para a sociedade. Uma sociedade que não consegue aceitar os que sofrem e não é capaz de contribuir, mediante a compaixão, para fazer com que o sofrimento seja compartilhado e assumido é uma sociedade cruel e desumana", conclui Bento XVI.
Os jovens, rebeldes, mas idealistas, decodificam com mais facilidade o recado de esperança do papa.
A todos, feliz 2012!
Carlos Alberto Di Franco, doutor em Comunicação, é professor de Ética e diretor do master em Jornalismo do Instituto Internacional de Ciências Sociais (IICS). E-mail: difranco@iics.org.br

5 de janeiro de 2012

Pai deixa 28 lições de vida aos filhos antes de morrer


Quando soube que tinha poucos meses de vida por causa de um câncer, o professor de gramática inglês Paul Flanagan só pensou em seus filhos, Thomas e Lucy. Em vez de sentir piedade de si mesmo ou entregar-se à tristeza, ele usou seus últimos dias para tentar ser um bom pai – mesmo à distância. Paul escreveu cartas, deixou mensagens gravadas em DVD e até comprou presentes para ser entregues às crianças em seus aniversários futuros. Separou também seus livros preferidos e, dentro deles, deixou bilhetes dizendo por que havia gostado de lê-los.
Em novembro de 2009, aos 45 anos, Paul morreu por causa do melanoma, deixando a mulher, Mandy, Thomas, então com 5 anos, e Lucy, de 1 ano e meio. Quase dois anos depois, ele continua presente com suas mensagens e fotos espalhadas por toda a casa. E, no mês passado, a família ganhou mais uma lembrança de Paul. Por acaso, Mandy encontrou um documento em seu antigo computador intitulado “Sobre encontrar a realização”. “Abri e, com lágrimas escorrendo pelo meu rosto, descobri que eram seus pontos para viver uma vida boa e feliz”, diz Mandy ao jornal Daily Mail.
“Quando alguém recebe a notícia de que tem poucos meses de vida, decide que sua vida não vai ser completa se não pular de bungee-jump da Ponte Harbour, em Sidney, ou não tiver visitado o Grand Canyon. Esse não era Paul. Tudo que importava para ele estava bem aqui. Ele viveu e morreu de acordo com suas próprias regras, e sei que encontrou sua própria realização.” Mandy diz que a carta é uma reprodução fiel dos valores e do bom humor de Paul.
O professor resumiu as reflexões que nortearam seu modo de viver em 28 itens. Traduzo aqui as palavras de Paul para seus filhos – e que agora servem de inspiração não só para eles, mas para todos que as leem.
“Nessas últimas semanas, depois de saber de meu diagnóstico terminal, procurei encontrar em minha alma e em meu coração maneiras de estar em contato com vocês enquanto vocês crescem.
Estive pensando sobre o que realmente importa na vida, e os valores e as aspirações que fazem das pessoas felizes e bem-sucedidas. Na minha opinião, e vocês provavelmente têm suas próprias ideias agora, a fórmula é bem simples.
As três virtudes mais importantes são: lealdade, integridade e coragem moral. Se aspirarem a elas, seus amigos os respeitarão, seus empregadores o manterão no emprego, e seu pai será muito orgulhoso de vocês.
Estou dando conselhos a vocês. Esses são os princípios sobre o quais tentei construir a minha vida e são exatamente os que eu encorajaria vocês a abraçar, se eu pudesse.
Amo muito vocês. Não se esqueçam disso.
Seja cortês, pontual, sempre diga “por favor” e “obrigado”, e tenha certeza de usar o garfo e a faca de maneira correta. Os outros decidem como tratá-los de acordo com as suas maneiras.
Seja generoso, atencioso e tenha compaixão quando os outros enfrentarem dificuldades, mesmo que você tenha seus próprios problemas. Os outros vão admirar sua abnegação e vão ajudá-lo.
Mostre coragem moral. Faça o que é certo, mesmo que isso o torne impopular. Sempre achei importante ser capaz de me olhar no espelho toda manhã, ao fazer a barba, e não sentir nenhuma culpa ou remorso. Parto deste mundo com a consciência limpa.
Mostre humildade. Tenha a sua opinião, mas pare para refletir no que o outro lado está dizendo, e volte atrás quando souber estar errado. Nunca se preocupe em perder a personalidade. Isso só acontece quando se é cabeça-dura.
Aprenda com seus erros. Você vai cometer muitos, então os use como uma ferramenta de aprendizado. Se você continuar cometendo o mesmo erro ou se meter em problema, está fazendo algo errado.
Evite rebaixar alguém para outra pessoa; isso só vai fazer você ser visto como mau. Se você tiver um problema com alguém, diga a ela pessoalmente. Suspenda fogo! Se alguém importuná-lo, não reaja imediatamente. Uma vez que você disse alguma coisa, não pode mais retirá-la, e a maioria das pessoas merece uma segunda chance.
Divirta-se. Se isso envolve assumir riscos, assuma-os. Se for pego, coloque suas mãos para cima.
Doe para a caridade e ajude os menos afortunados que você: é fácil e muito recompensador.
Sempre olhe para o lado bom! O copo está meio cheio, nunca meio vazio. Toda adversidade tem um lado bom, se você procurar.
Faça seu instinto pensar sempre sempre em dizer ‘sim’. Procure razões para fazer algo, não as razões para dizer ‘não’. Seus amigos vão gostar de você por isso.
Seja gentil: você conseguirá mais do que você quer se der ao outro o que ele deseja. Comprometer-se pode ser bom.
Sempre aceite convites para festas. Você pode não querer ir, mas eles querem que você vá. Mostre a eles cortesia e respeito.
Nunca abandone um amigo. Eu enterraria cadáveres por meus amigos, se eles me pedissem… por isso eu os escolhi tão cuidadosamente.
Sempre dê gorjeta por um bom serviço. Isso mostra respeito. Mas nunca recompense um mau serviço. Um serviço ruim é um insulto.
Sempre trate aqueles que conhecer como seu igual, estejam eles acima ou abaixo de seu estágio na vida. Para aqueles acima de você, mostre deferência, mas não seja um puxa-saco.
Sempre respeite a idade, porque idade é igual a sabedoria.
Esteja preparado para colocar os interesses de seu irmão à frente dos seus.
Orgulhe-se de quem você é e de onde você veio, mas abra a sua mente para outras culturas e línguas. Quando começar a viajar (como espero que faça), você aprenderá que seu lugar no mundo é, ao mesmo tempo, vital e insignificante. Não cresça mais que os seus calções.
Seja ambicioso, mas não apenas ambicioso. Prepare-se para amparar suas ambições em treinamento e trabalho duro.
Viva o dia ao máximo: faça algo que o faça sorrir ou gargalhar, e evite a procrastinação.
Dê o seu melhor na escola. Alguns professores se esquecem de que os alunos precisam de incentivos. Então, se o seu professor não o incentivar, incentive a si mesmo.
Sempre compre aquilo que você pode pagar. Nunca poupe em hotéis, roupas, sapatos, maquiagem ou joias. Mas sempre procurem um bom negócio. Você recebe por aquilo que paga.
Nunca desista! Meus dois pequenos soldados não têm pai, mas não corajosos, têm um coração grande, estão em forma e são fortes. Vocês também são amados por uma família e amigos generosos. Vocês fazem o seu próprio destino, meus filhos, então lutem por ele.
Nunca sinta pena de si mesmo, ou pelo menos não sinta por muito tempo. Chorar não melhora as coisas.
Cuide de seu corpo que ele vai cuidar de você.
Aprenda um idioma, ou pelo menos tente. Nunca comece uma conversa com um estrangeiro sem primeiro cumprimentá-la em sua língua materna; mas pergunte se ela fala inglês!
E, por fim, tenha carinho por sua mãe, e cuide muito bem dela.
Amo vocês com todo meu coração,
Papai”
Fonte : Època

1 de janeiro de 2012

Esperai, observai, confiai e cuidai




Nos caminhos da descoberta do sentimento que parte de nós para o outro, existe o pleno desejo de amar intensamente o outro de forma semelhante ou ao menos aproximada. A resposta para com o sentimento do outro se torna tão necessária quanto à própria realidade que subsiste na relação, este é o passo que surge do desejo de amar com os sentimentos amostra e com o coração voltado ao irmão, ao amigo, ao namorado e esposo. Os caminhos que passam pelo encontro pedem passos que nasçam do sentimento adquirido para com o outro: Esperai, observai, confiai e cuidai.
Estes são os pilares que fazem sustentar as bases sólidas de uma construção que pede o introito ao coração e a vida do outro. Não podemos arrombar as portas da vida do outro, não podemos invadir a morada de vivência do outro. O amor exige a simplicidade da espera, o olhar verdadeiro da observação, o coração que inebria confiança e o desejo único do cuidado. Nessa edificação de colunas fortes, como toda boa construção, o equilíbrio dos materiais usados com a beleza do conjunto é essencial. Não podemos elevar demais nem a um, nem a outro. Essa é a perspectiva de uma construção baseada no equilíbrio das partes. Pensai bem como seria desagradável uma casa em que o banheiro é maior do que todos os outros cômodos, em que ele seja do tamanho de uma sala e os demais cômodos do tamanho que caberia ao banheiro.
Esperai - A esperança é o sentimento que brota nos corações fortes. Um coração esperançoso é sem sombra de dúvidas o baluarte de alegria de todo homem que o possui. A esperança coloca fogo nas lenhas dos sonhos, ela fortifica as incertezas que temos na vida. Saber esperar é saber colocar o coração diante da realidade ainda não adquirida. E a esperança não engana, ela concede! Esperar o tempo certo do outro para os acontecimentos de todo relacionamento, esperar a descoberta do outro. Esperai que no tempo certo o outro possa mostrar-se para ti. Que no tempo certo ele deixe seus pés tocarem os limiares de suas portas. Esperar porque quem possui nosso apreço é a maior de todas as provas de amor. É o maior de todos os cuidados de um amigo. A esperança é o olhar sereno que mira uma escada cheia de luz e serenamente espera a hora certa de subir os degraus.
Observai - Observe bem os gestos, as falas, as ações incógnitas contidas nas atitudes do outro. Um encontro sem a observação é andar nos lugares escuros de uma floresta e sair topando nas árvores. O encontro exige observação como complemento da descoberta do outro. A observação deve ser os feixes de luz focados sobre o outro de forma que possamos aos poucos tocar sua vida. O amor exige observação para saber os limites de nosso contato, os limites do outro e os nossos próprios limites. Nasce desta observação o olhar verdadeiro sobre a realidade do outrem e da nossa própria realidade. Um olhar sobre tudo aquilo que nos cerca e nos fala de forma implícita e explícita. Observar é perceber as virtudes e a capacidades que o outro possui. Você não parte para um lugar sem antes bem saber onde fica ou como é. Para entrar no solo sagrado do irmão é preciso a observação.
Confiai - De todos estes o que pede nossa intensa vontade e paciência é o da confiança. Confiar é algo que pede todo o empenho de quem doa e de quem recebe. Sim, de quem doa! Porque confiança é um dom que todo homem deve conceder somente aqueles que sabem guardar bem esse tesouro. Confiança é uma estrada de duas vias: uma é nossa, outra é do próximo. Confiança exige também o labor de acreditar que tudo em seu tempo será concedido. Por isso confiai que em seu tempo todas as coisas serão concedidas ao teu coração, confiai que há seu tempo será dado àquilo que pedes em tua oração. Confiança na providência, que em seu tempo certo distribui as virtudes e as graças para a fortificação do encontro. Confiai de modo a não existir medo em acreditar nos caminhos que emergem da descoberta do outro.
Cuidai – Um jardim exige um cuidado especial de quem possui. Precisa ser irrigadas, folhas secas precisam ser rasteladas, ervas invasores precisam ser retiradas. O cuidado com o  jardim é que determinará a sua beleza. O amor e tal e qual um jardim que sem os cuidados do outro morre. O outro é tal e qual um jardim que exige as singelezas do cuidado de quem ama. Essa é uma verdade real e verdadeira. O amor, o outro sem cuidado morre na nossa vida. As flores mimosas da descoberta secam, os lírios formosos dos sonhos se acabam, as violetas esmeras do carinho se esvaem. Muitos custam acreditar, mas o amor pode ser sufocado. A afirmação de que se acabou nunca foi amor de verdade é completamente errónea. Pode ter sido amor, mas foi duramente sufocado pela falta de cuidado, como as flores escondidas pelo peso de uma pedra. Cuidai para não sufocar as flores semeadas no jardim do encontro.
Possamos a cada novo passo da descoberta e da fortificação do encontro e dos pilares deste edifício  encontrar os laços que unem os corações. Laços que tornam amigos irmãos, que fazem casais de namorados fazerem o caminho de amor, que tornam casais uma só carne. O coração pede mais do que alguém, ele pede alguém que seja capaz de responder de forma sincera e real aos seus anseios e o receba tal e qual é. O encontro pede a esperança de ter, a observação de quem busca um coração, a confiança de quem acredita na possibilidade de ser feliz com outro e o cuidado de quem coloca no outro as simplicidades e belezas de um jardim plantado nas terras boas do coração.

29 de dezembro de 2011

Apenas Mais Uma de Amor - Interpretação de Padre Fábio de Melo

Em um tempo em que sentimentos são tão epidérmicos e sem um mínimo de interioridade, a vida pede abertura para as realidades que emergem do íntimo. São como nada as palavras, os gestos,os abraços,as chegadas e encontros sem o principal: O coração. Essa música mostra que escolhas é a partida para os rumos da vida. Os outros nunca serão donos de teu caminho.Posto hoje essa música de Lulu Santos Apenas mais uma de amor na interpretação de Padre Fábio de Melo. Afinal de contas "Eu acho tão bonito isso de ser abstrato baby a beleza é mesmo tão fugaz"




Eu gosto tanto de você

Que até prefiro esconder

Deixo assim ficar
Subentendido

Como uma ideia que existe na cabeça

E não tem a menor obrigação de acontecer

Eu acho tão bonito isso

De ser abstrato baby

A beleza é mesmo tão fugaz

É uma ideia que existe na cabeça

E não tem a menor pretensão de acontecer

Pode até parecer fraqueza

Pois que seja fraqueza então,

A alegria que me dá
Isso vai sem eu dizer

Se amanhã não for nada disso

Caberá só a mim esquecer

O que eu ganho, o que eu perco
Ninguém precisa saber

Eu gosto tanto de você

Que até prefiro esconder

Deixo assim ficar
Subentendido

Como uma ideia que existe na cabeça

E não tem a menor pretensão de acontecer

Pode até parecer fraqueza

Pois que seja fraqueza então,

A alegria que me dá
Isso vai sem eu dizer

Se amanhã não for nada disso

Caberá só a mim esquecer

E eu vou sobreviver...
O que eu ganho, o que eu perco
Ninguém precisa saber

21 de dezembro de 2011

“Porque não havia lugar para eles” Luc 1,7



Lendo e meditando as palavras do Santo evangelho de Lucas, capitulo primeiro verso sétimo, lemos: “Porque não havia lugar para eles”. Esta passagem do evangelista relata o acontecimento do nascimento de Cristo em Belém.  Maria e José estão na cidade para o recenseamento proposto pelo imperador César Augusto. Chegando a cidade não encontraram lugar para se hospedar. Aquele que fez o mundo e todas as coisas não possuiu um lugar para nascer. Completa-se o sentido deste acontecimento com as palavras do próprio Senhor que diz: “O Filho do homem não tem onde recostar a cabeça.” Mat 8,20. O intrigante é ver a atualidade desta Palavra de Lucas. Hoje em dia não é diferente para o Senhor! Porque estamos tão preocupados em enfeitar, em uma ceia, em presentes e árvores que esquecemos o principal sentido do Natal. Não é uma festa de proporções mercantis ou econômicas, entretanto é uma festa de frutos espirituais. Encontramos neste tempo shoppings lotados, lojas abarrotadas de pessoas.  Voltamos o olhar para as festividades externas deste tempo.
No tempo do Natal parece que a vida e a realidade tomam novos rumos e apontam novos horizontes. Isso acontece todo final de ano com as festas que estão ligadas a este período. São promessas e votos, desejos de mudança para o ano vindouro. Voltamos para o ano que passou e temos a impressão de que não fizemos aquilo que desejamos por inteiro. Como se houvesse um grande vazio em nós, e queremos com a proximidade do ano que se aproxima renovar e criar novas esperanças.  Contudo, queremos sempre coisas maiores e melhores. Em que ponto de toda essa tendência ao futuro, que emerge no findar do ano, deixamos espaço para Deus? Parece que todos os caminhos levam para longe de Deus. Esquecemos o verdadeiro sentido do Natal. Porque e por quem se realiza essa festa que muda nossas rotinas e vidas. Porque em nossas vidas não existe “lugar para eles.” E esvaziamos nossas expectativas e esperanças em presentes e coisas meramente passageiras e renegamos o “presente” mais grandioso que poderíamos receber: Jesus Cristo, Emmanuel, Deus conosco, o Filho do Homem.
Andando pelas ruas da cidade as vemos lotadas de enfeites, pessoas que passeiam em busca daquele presente perfeito, alegria e singeleza nas relações, milhares de campanhas de natal para instituições de caridade e filantropia. Nasce no coração do homem o “espírito de natal”. Mas uma pergunta todos os anos chega ao meu coração: Não deveria este “espírito de natal” acontecer durante todo ano? Não deveríamos voltar nossos olhos aos pobres, ao próximo e ao sofredor o ano inteiro? A alegria de um Deus conosco não deveria encher nossos corações durante o ano todo? Porque então só neste período fazemos estas coisas parecerem tão emergentes e urgentes? São com toda certeza muitos questionamentos para nós sobre este período.
Não digo que estes empreendimentos e empenhos devam acabar, contudo devemos entender que eles deveriam acontecer durante todo o ano. Os orfanatos, casas de recuperação, presídios, hospitais e tantos outros não funcionam tão somente neste fim de ano, contudo durante todo ao ano. O nosso irmão não tem que ser amado só durante este final de ano, contudo o ano inteiro. Estes gestos de caridade e filantropia deveriam ser repetidos tantas outras vezes durante o ano. Enchemos as redes sociais de ameaças, xingamentos, piadas e outras coisas mais sobre o caso enfermeira em Formosa que aparece em um vídeo espancando um cachorro da raça Yorkshire. Já pensou se usássemos todo esse empenho em ajudar a Sociedade de São Vicente o ano inteiro. Usar todo esse período para ficar um tempo no hospital com os menos favorecidos, no presídio com nossos irmãos encarcerados, nos asilos e orfanatos. Olhemos uns instantes para nossa escala de valores humanos. Fizemos uma “guerra atômica” de montagens e piadinha sobre o ocorrido com um animal e não somos capazes de cuidar de quem é semelhante a nós o ano inteiro. Ainda se acha racional?
Fiquei demasiado preocupado quando perguntei para uma criança outro dia na Igreja: “Quem é teve seu nascimento no natal?”.  Ela prontamente respondeu: “Papai Noel”. E acredito que se fizesse essa mesma pergunta para outras crianças elas responderiam o mesmo. É tão avassaladora a intenção da promoção do bom velhinho que em quase todos os comerciais, se não todos, de televisão ele aparece como protagonista. Não que isso importasse para promoção cristã do Natal, porém este marketing televisivo faz uma verdadeira lavagem cerebral em nossas crianças e jovens. O Natal se tornou uma festa mais conectada ao mercado comercial, ao fato religioso que está ligado ao Nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Esta mudança de mentalidade deveria começar primeiramente por nós cristãos. Deveríamos colocar um novo olhar sobre o Natal. O olhar de quem reconhece que nosso Deus e Senhor, sendo Deus, veio de forma concreta habitar conosco. No coração devemos ter novos horizontes e novas perspectivas, mas que estes sonhos comecem neste período e perdurem ao no todo. Que as diversas campanhas de ajuda às várias instituições não sejam apenas neste tempo que vivemos, mas que sejam para todo o ano, que se repita de modo ousado durante o ano que advém. Mudar a realidade do Natal exige de cada um de nós a confiança e reconhecimento de um Deus que veio ficar conosco. Esse é o real sentido de toda essa festa que vivemos durante este fim de ano. Todas essas realidades citadas acima, sem esse norte que guia nossos passos, não passam de uma coleção de gestos e realizações sem sentido. Ficam as palavras do profeta Isaías que nos convida:


O povo que andava nas trevas viu uma grande luz; sobre aqueles que habitavam uma região tenebrosa resplandeceu uma luz.

Vós suscitais um grande regozijo, provocais uma imensa alegria; rejubilam-se diante de vós como na alegria da colheita, como exultam na partilha dos despojos.
Porque o jugo que pesava sobre ele, a coleira de seu ombro e a vara do feitor, vós os quebrastes, como no dia de Madiã.
Porque todo calçado que se traz na batalha, e todo manto manchado de sangue serão lançados ao fogo e tornar-se-ão presa das chamas;
porque um menino nos nasceu, um filho nos foi dado; a soberania repousa sobre seus ombros, e ele se chama: Conselheiro admirável, Deus forte, Pai eterno, Príncipe da paz.
Seu império será grande e a paz sem fim sobre o trono de Davi e em seu reino. Ele o firmará e o manterá pelo direito e pela justiça, desde agora e para sempre. Eis o que fará o zelo do Senhor dos exércitos.
O Senhor profere uma palavra contra Jacó, e ela vai cair sobre Israel. 
Isaías 9:2-8

20 de dezembro de 2011

O encontro


Antes de marcarem o encontro no tempo e no calendário dos seus dias, ele já havia sido escrito nas fibras dos seus corações. Era tão real e visível o amor que havia entre os dois, que até o pior dos homens em percepção saberia que ali havia mais do que uma simples amizade. A indiscrição indiscreta de ambos fazia o clima de romance parecer ainda mais inevitável. Eram dias de contagem. Ela mesma prometera para si que não faria expectativas desanimadoras. Ele de certo contava os dias sem o pudor de dizer que era o dia mais feliz da sua vida. Ela se perguntava a todo instante como acontecerá aquilo? Como pode aceitar sair com seu melhor amigo? O que estava acontecendo de verdade entre os dois, que fazia o clima sempre mudar de uma amizade de infância para um amor de eternidade? Uma coisa ela sabia: era impossível esconder sua alegria. Os amigos de trabalho já notavam a aparente mudança em seu humor. Os sorrisos soltos e sem momento nos corredores. Os abraços fortes como se abraçasse outra pessoa e de certo ela imaginava está abraçando ele. Ele nem mais dormia, pois preferia continuar sonhando acordado pensando nela e naquele dia tão esperado.
Chegando o dia tão aguardado ela foi para casa em riso disfarçado. Disfarçado para ela que tentava esconder,como se esconde uma lâmpada com saco plástico transparente. Ele de mesmo modo tentava ocultar sua alegria, mas ela era tão real e forte que aqueles que entravam em contato com ele sentiam em seu pulsar as forças do sentimento que tinha por aquela moça de infância. Não era amor demais, nem de menos. Era simples e sem pompa, contudo ele dizia para si mesmo: “Não assustar ela!” e assim ele ia repetindo em seu coração, quando não em voz alta, no caminho para casa. Ela preferia algo discreto para vestir, não queria parecer que fosse um encontro. Ele do mesmo modo fazia uma combinação normal de roupa, daquelas que ele sempre fazia sem pensar, mas era inevitável não pensar no melhor para ela. E o tempo passava e em seu coração já não havia minutos de separação. Não havia tempo que contivesse as eternidades de tempo que pareciam cada segundo.
Logo no primeiro toque da campainha ela pensou o que ia dizer. Pensou como ele estaria vestido, e se não havia exagerado nos detalhes da maquiagem. Não queria parecer uma boba. Eram tantos pensamentos em poucos segundos que logo ao segundo toque da campainha foi inevitável o nervosismo e pensará se estava fazendo a coisa certa. Se aquilo não era apenas uma forma de compensar seus romances passados que não deram certo. Ele ao lado de fora pensava se ela não haveria esquecido. Pensou se estava realmente certo daquilo, se aquilo não era apenas um modo de ser feliz. Pensou consigo mesmo se não havia exagerado em dar dois toques na campainha.
Ao ouvir o trinco da porta romper no giro ele logo se acertará de forma reta. Ela por sua vez atrás da porta dizia consigo mesma que não era ele, devia ser apenas mais um vendedor. Quando olhos se encontraram pareciam novamente conhecer um ao outro. Era como se fosse a primeira vez que ambos se viam, coisa estranha para quem se conhecia há vários anos. Era como seus olhos se cruzassem pela primeira vez, como se nunca tivessem se visto. Ele ficará sem palavras para a beleza que agora fitava. Ela por sua vez, encantará com aquele rapaz diante de si, que estava vestido de terno e camisa azul. Ela amava azul. Ela saiu ao seu encontro. Não sabia se abraçava, se apertava a mão, se beijava no rosto. Ele do mesmo modo não sabia que atitude tomar, enfim partiu para um abraço. Aquele abraço que ele esperou a semana inteira, aquele abraço que continha os aromas e as fibras que ela ansiosamente esperou e quando sentiu aquele corpo de encontro ao seu sentia que podia ser mais forte. Sentia que não havia mais ela, não havia mais ele. Havia apenas um só e eles eram um só. E o mais estranho daquilo tudo era saber que eles sempre estiveram juntos e próximos, contudo aquele momento era como se fosse o encontro dos encontros.
No caminho para o restaurante o silêncio era contemplativo. Ela fitava seu rosto com vontade de tocá-lo. Ele dirigia com desejo de fitar seu rosto e vez em quando o fazia. Durante o jantar as conversas de sempre giravam em torno dos dias que antecederam este momento. Ela queria fazer com que aquele momento fosse um encontro entre amigos e ele do mesmo modo, contudo já era impossível fazer aquilo parecer um encontro casual de amigos. Já existia o clima de encontro. No olhar, nos gestos, na fala e até no restaurante. Nunca que um lugar daqueles com luz de velas e música ambiente seria lugar de amigos se encontrarem. Onde estava o cachorro quente? Aquela música esculachada da lanchonete? Onde estava aquela conversa desenfreada dos presentes. O lugar era silencioso e calmo, parecia que as pessoas tinham medo de conversar e atrapalhar os outros. Fato visível: só havia casais naquele momento.
Para não perder o costume dos encontros entre eles resolveram dar uma volta no parque. Eles sempre faziam isso quando saiam juntos. Na verdade era mais o desejo de não dar tom de encontro do que cumprir um ritual de amigos. Aquela altura do dia era impossível acabar com aquele clima romântico que existia. Principalmente pelo fato de nunca eles haverem chegado ao parque de mãos dadas. Ela nunca estaria com o terno dele sobre o corpo devido ao frio. A verdade se revelava aos seus olhos: Aquilo era um encontro.
Sentados naquele banco ele a abraçou como se quisesse a ter para sempre. Ele a detinha em seus braços no desejo impetuoso de ser como um escudo para ela, como uma fortaleza protegendo um tesouro de grande valor. Ela ali protegida sentia que aquele era o momento mais importante de toda sua vida. Aquele instante era o instante de completar seu eu. O amor que ela sempre esperou, esteve sempre diante de seus olhos. Ali bem diante de seus olhos. Foi inevitável a pergunta:
- Você me ama de verdade?
Ele sem o pudor, respondeu:
- Você irá descobrir pelas batidas do meu coração.
E ela sentia. Sentia que já havia certa confusão entre as batidas do seu coração, com as batidas do dele. Daquele dia em diante fizeram uma promessa diante do Senhor: “Que nosso amor seja Nele uma chama em que Ele seja o fogo que une nossos corações.” E aquilo foi tão verdadeiro que o Senhor nunca extinguiu aquele fogo de graça que os une até hoje. Um amor de eternidade.
Para meu casal amigo que de um tesouro de amizade, cultivou um tesouro de corações. E estão juntos por graça e vontade. 

2 de dezembro de 2011

Encontro e significado.


Querido irmão Jefferson Ricardo, nunca fui muito bom em dizer adeus. Fico sem palavras para aquele que vai partindo. As palavras fogem de maneira que pareço mudo diante da pessoa. Despedidas sempre me fizeram retornar para realidade do encontro e refazer o caminho da descoberta do outro. Não gosto de dizer adeus, prefiro um “até logo amigo” que ressoa com gosto de um futuro encontro. Então não quero dizer adeus, mas apenas um até logo. Quero por estas palavras expressar minha mais tenra gratidão pelo dom do seu existir, render louvores mil ao Autor de toda graça pelo dom de sua vida.
Querido amigo só Deus sabe o quanto o tenho em meu coração. Só ele sabe bem o quanto o faço guardado nas entranhas mais profundas e nas fibras mais sinceras do meu coração. O coração faz recordação de cada bom momento que tivemos, mesmo sendo ainda poucos! Repito aquilo que já disse para ti em outros momentos: Quem disse que para ser amigo é preciso estar perto e faço do poeta minhas palavras: “Tenho tudo o que preciso no meu coração. Tenho aqui perto de mim”. Com você é assim: Tenho-te aqui no meu coração!
O encontro começa com a descoberta do outro. O caminho que perfaz o coração é aquele de descobrir aos poucos as salas do coração do outro. E mais do que estar do lado, é sentir as batidas do coração. Encontro real só acontece quando ambos estão dispostos a fazer o caminho. E quando o encontro se faz completo, é hora de partir. Sim é hora de deixar as salas do coração do outro a fim de deixar na lembrança aquela saudade boa. Sair não é deixar, até porque ““ Estar não é cuidar. Perto estas se dentro estas. Crescer não é mudar, cuidar não é ficar fica tua vida em mim. Sair não é deixar. Estar não é cuidar. Perto estas e dentro estas”
É na senda do encontro que vamos aos pouco descobrindo a importância do outro no contexto de nossa história. Os significados que serão preenchidos em nossa vida com a presença do outro. Acredite querido irmão que a dor maior do homem não é aquele que nasce no corpo, não são dores biológicas que fazem o homem sofrer mais na sua existência. São as dores da mente, as dores da saudade, as dores da perda, do significado perdido em nossa história. A perda de um significado remete ao vazio que não pode ser preenchido por mais ninguém ou coisa. Essa é a profundidade do encontro. Ninguém sofre por aquilo que não possuiu significado em sua vida.
Obrigado pela verdade de suas palavras, pela sinceridade de me dizer sempre aquilo que precisei ouvir. Por cada sorriso seu, que muitas vezes me fizeram rir. Sim ri muitas vezes mais da sua risada do que dos fatos que fizeram a gênese dela. Obrigado por me ensinar a ser mais real e não ter medo de dizer quem sou. Saiba meu amigo que você é uma das pessoas mais puras que conheci, sim na verdade você é uma das pessoas puras que conheço. Pureza de viver aquilo que Deus quer na sua vida. Não tenha medo de persistir, porque Deus vai andar ao seu lado sempre. Deus precisa de pessoas como você para sua vinha.
Poderia dizer muito mais em palavras, mas como bem disse sou péssimo em despedidas. Que não sejam uma despedida estas palavras, contudo recomeço. Estarei sempre aqui. Coração a mostra para ti. Porque um dia encontrei o seu que acolheu esse que estava ferido.
Deus vos bendiga!
“O mais importante da saudade é saber que os que partem não partem por completo, e os que ficam ainda sentem a presença. O abraço da despedida não quebra as forças da presença. O que move os sentimentos da saudade é a certeza de que aqueles que se separam estão tão mais íntimos de si. A força do coração trata de unir as distâncias.”
Raifran Sousa – Sobre a saudade e outras coisas de sua realidade.